Saiba o que muda em nosso combate espiritual contra a carne, o mundo e o demônio, depois da consagração a Virgem Maria.
Quando nos decidimos pela consagração, intensifica-se o combate espiritual contra os três inimigos da nossa alma: a carne, o mundo e os demônios. O catecismo do Concilio de Trento já nos ensinava essa realidade do combate espiritual: “A Igreja Militante é a Sociedade de todos os fiéis que ainda vivem na terra. Chama-se militante porque está obrigada a manter uma guerra incessante contra os mais cruéis inimigos: o mundo, a carne e o Diabo”[1]. Esses três inimigos da Igreja devem ser vistos também como inimigos de nossas almas, que devemos combater como toda a Igreja, no bom combate espiritual (cf. 2 Tm 4,
Algumas pessoas que se preparam para a consagração, ou que já se consagraram, admiram-se desse endurecimento do combate, outras ficam escandalizadas, e há ainda as que ficam temerosas, mas não deveriam. Pois, somos membros da Igreja militante, ou seja, que combate e defende ativamente o depósito da fé desses três inimigos das nossas almas. Se vamos nos consagrar a Jesus e a Maria de modo ainda mais radical que o comum dos fiéis, é normal que a nossa batalha espiritual seja mais árdua.
A consagração e os três inimigos da alma
Todos nós católicos, antes de receber o sacramento do Batismo, já renunciamos a esses três inimigos da nossa alma: a carne, o mundo e o demônio. Então, no Batismo já começou o nosso combate espiritual contra a carne, o mundo e Satanás. Esse combate se torna ainda mais acirrado quando nos decidimos pela consagração, pois ela é uma perfeita renovação das promessas batismais[2].
Na consagração, renunciamos livre e conscientemente à carne, ao mundo e aos demônios, e isso certamente endurecerá ainda mais o nosso combate contra esses inimigos, o que pode desanimar as pessoas que desejam consagrar-se Nossa Senhora. No entanto, São Luís Maria Grignion de Montfort nos ensina que a verdadeira devoção a Santíssima Virgem nos faz corajosos para enfrentar “o mundo em suas modas e máximas, a carne, em seus aborrecimentos e paixões, e ao demônio, em suas tentações”[3]. Esta coragem se manifesta de várias formas, conduzindo-nos cada vez mais ao amadurecimento espiritual necessário para vencer as tentações, as quedas, a aridez, a noite escura da fé:
Assim, uma pessoa verdadeiramente devota da Santíssima Virgem não é volúvel, nem se deixa dominar pela melancolia, pelos escrúpulos ou pelos receios. Não quer isto dizer que não caia ou não mude, às vezes, na sensibilidade de sua devoção; mas, se cai, levanta-se logo, estende a mão à sua boa Mãe, e, se perde o gosto ou a devoção sensível, não se aflige irremediavelmente, pois o justo e devoto fiel de Maria vive da fé de Jesus e de Maria, e não nos sentimentos naturais[4].
O combate na preparação para a consagração
A preparação para a consagração deve ser feita em espírito de penitência, oração e sacrifício, pois será um tempo em que haverá grandes combates espirituais, para que desistamos dos nossos propósitos. O Inimigo pode servir-se de pessoas muito próximas a nós para nos convencer a desistir da consagração, à semelhança de Simão Pedro, que interpela e protesta, para que o Mestre desista de oferecer-Se em sacrifício: “Que Deus não permita isto, Senhor! Isto não te acontecerá!” (Mt 16, 22). Ainda que quisesse o bem do Mestre, Pedro, que pouco antes fez sua profissão de fé: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!” (v. 16) e recebeu as chaves do Reino dos Céus (cf. v. 19), foi repreendido severamente porque queria fazer Jesus desistir de sua entrega total: “Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um escândalo; teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens!” (v. 23).
Este combate espiritual pode dar-se em circunstâncias muito concretas. Podemos ser tentados a desistir da consagração pelo conselho de alguém, pela oposição da família, por causa de uma doença, de dificuldades na vida espiritual e até mesmo por cometer pecados graves, nos quais há tempo não caíamos. Mas, podemos também ser tentados por circunstâncias boas, como uma promoção, a oferta de um emprego melhor, ou ainda uma oportunidade de negócios lucrativos. Estas circunstâncias podem vir acompanhadas pela falta de tempo, pelo fascínio do poder e das riquezas, e nos fazer desistir da consagração.
Nesta batalha espiritual, podemos ser tentados por Satanás e pelo mundo, ou seja, pelas pessoas ou por acontecimentos, mas nosso pior inimigo é a nossa carne, somos nós mesmos. Aqui dou um testemunho pessoal. Eu li o Tratado por volta do ano de 2001, mas a soberba, aliada à ignorância, me fez deixar de lado a consagração. Eu achava que já era um verdadeiro devoto da Virgem Maria, por rezar alguns Terços e ter certa piedade mariana. Somente em 2011, pela Providência divina, tive novamente contato com o conteúdo do Tratado, através de palestras em vídeo do Padre Paulo Ricardo, e decidi me consagrar a Virgem Maria.
No tempo que comecei a ler o Tratado, em preparação para a consagração, minha vida espiritual estava em ordem e não tinha grandes dificuldades a enfrentar. Quando estava para começar as orações de preparação, começaram os combates, as tentações da carne, e também a influência do mundo, os desentendimentos, as inimizades e algumas situações dolorosas, que me fizeram pensar novamente em desistir de fazer a consagração. Então, tive como que uma iluminação divina, uma intuição, que me fez compreender que neste combate havia a ação de Deus, para que eu fizesse a consagração, mas, ao mesmo tempo, a ação de Satanás, para que eu desistisse. Por isso, mesmo vivendo tribulações, resolvi consagrar-me a Virgem Maria e hoje eu vejo o quanto esta foi importante para o meu caminho espiritual.
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